CÓDIGO DE ÉTICA DO IFÁ

Odu Ìká-Òfún (iorubá)

Ení da ilè á bá ilè lo

A d’ífá fún àgbààgbà mérìndínlógún

Wón nrelé Ifè wón nlo rèé toró ógbó

Àwon lè gbó àwon lè to bi Olódùmarè tí rán won ni wón dá Ifá sí

Wón ní wón a gbó, won a tó sùgbón kí wón pa ìkìlò mó

Ifá ní:

 wón ní kí wón ma fi èsúrú pe èsúrú

wón ní kí wón ma fi èsúrú pe èsúrú

wón ní kí wón ma fi odíde pe òòdè

wón ní kí wón ma fi ewé Ìrókò pe ewé Oriro

wón ní kí wón ma fi àimòwè bá won dé odò

wón ní kí wón ma fi àìlókó bá won ké háin-háin

wón ní kí wón ma gba onà èbùrú wo’lé Àkàlà

wón ní kí wón ma fi ìkóóde nu ìdí

wón ní kí wón ma su sí epo

wón ní kí wón ma tò sí àfò

wón ní kí wón ma gba òpá l’ówó afójú

wón ní kí wón ma gba òpá l’ówó ògbó

wón ní kí wón ma gba obìnrin ògbóni

wón ní kí wón ma gba obìnrin òré

wón ní kí wón ma s’òrò ìmùlè l’éhìn

wón ní kí wón ma sàn-án ìbàntè awo

Wón dé’lé ayé tán ohun tí wón ní kí wón má se wón nse

Wón wá bèrè síí kú

Wón fí igbe ta, wón ní Òrúnmìlà npa wón

Òrúnmìlà ní òun kó l’óún npa wón

Òrúnmìlà ní àìpa ìkìlò mó o won ló npa wón

Àgbà re d’owó re.

Tradução (português)

Aquele que viola a confiança mútua sofrerá graves consequências.

Adivinhação de Ifá para os 16 ancestrais ilustres

Eles andavam pela cidade de Ifè a perguntar

Viveremos tanto tempo como declarou Olódùmarè, era a pergunta deles para Ifá.

Eles tinham chegado à maturidade, eles eram educados, mas lutavam para serem os primeiros, a saber

Ifá disse:

ele – Ifá – avisou não chamem èsúrú por èsúrú

ele avisou não chamem èsúrú por èsúrú

ele avisou não tratem odide por òòdè

ele avisou não digam que folha de ìrókò é folha de oriro

ele avisou não queiram nadar se não conhecem o rio

Ele avisou não sejam orgulhosos e não sejam egocêntricos

ele avisou não entrem na casa de Àkàlà com más intenções ou falsidades

ele avisou não usem penas sagradas como papel higiênico – para limpar-se

ele avisou nunca defequem sobre o azeite

ele avisou não urinem onde se fabrica azeite

ele avisou não tirem a bengala de um cego

ele avisou não tirem a bengala de um velho

ele avisou não se envolvam com esposas de um nobre

ele avisou não se envolvam com a esposa de um amigo

ele avisou não falem demais

ele avisou não se envolvam com a esposa de um Babaláwo

quando os ancestrais chegaram em suas terras “não” fizeram todas as coisas que lhes fora

mandado fazer

e eles começaram a morrer, um por um

então começaram a dizer que Òrúnmìlà era um assassino.

Òrúnmila disse que não era ele quem estava matando os velhos

Òrúnmìlà disse que eles estavam morrendo porque não cumpriram os mandamentos de Ifá

os velhos deveriam comportar-se com honra e obedecer aos seus mandamentos.

Conceito dos mandamentos de Ifá

Muitos andam pela vida sem rumo e acaba indo buscar os conselhos de Ifá.

Este era o caso dos ancestrais que buscaram cobrar de Ifá a promessa feita por Olódùmarè (Deus), que dava a eles uma vida longa.

Assim Ifá advertiu:

Não digam o que não sabem (èsúrú pode ser tanto uma conta sagrada como um nome de uma pessoa);

Não façam ritos que não saibam fazer (novamente avisa não troquem a conta sagrada pelo nome);

Não enganem as pessoas (trocando a pena de papagaio por morcego);

Não conduzam as pessoas a uma vida falsa (mostrando a folha de ìrókò e dizendo que é folha de oriro);

Não queiram ser uma coisa que vocês não são (não queiram nadar se vocês não conhecem o rio);

Não sejam orgulhosos e egocêntricos;

Não busquem o conselho de Ifá com más intenções ou falsidade (Àkàlà é um título usado para

Òrúnmìlà);

Não rompam (não mudem) ou revelem os ritos sagrados, fazendo mal uso deles;

Não sujem os objetos sagrados com as impurezas dos Homens; busquem nos ritos sagrados

somente coisas boas;

Os templos devem ser lugares puros, onde a sujeira do caráter humano deve ser lavada;

Não desrespeitem ou inferiorizem os que têm maior dificuldade de assimilar conhecimentos ou

deficiências no caráter, ajude-os a mudar;

Não desrespeitem os mais velhos, a sabedoria está com eles, a vida os fez aprender;

Não desrespeitem as linhas de condutas morais;

Nunca traiam a confiança de seu semelhante;

Nunca revelem segredos que lhe são confiados; falar pouco e somente o necessário demonstra sabedoria;

Respeitem os que possuem cargos de responsabilidade maior; o Babaláwo é um Pai, portanto, é devido grande respeito aos Pais.

Mas os ancestrais não cumprem as determinações de Deus, trazidas e mostradas por

Òrúnmìlà. Deus usa os Òrìsà para advertir o Homem, mas não obtém sucesso.

O Homem não ouve os conselhos.

Mesmo assim, em erro, o Homem ainda acusa a Òrúnmìla.

Mais uma vez não reconhecendo os seus próprios erros.

O Homem tem esse hábito, o de culpar os outros pelas suas maneiras erradas.

Diante de tais atitudes, Deus fica desobrigado de cumprir Sua palavra com o Homem,

permitindo então que o Homem morra idoso e venha a renascer jovem, para que uma nova caminhada de aprendizados se inicie, em outra vida, em outro lugar, e quem sabe assim, nessa nova etapa, o Homem aprenda os mandamentos de Ifá pondo fim a esse ciclo sofrido.

Assim se repetirão esses ciclos, até que o Homem aprenda a mudar, tornando-se um

Egúngún Àgbà (Ancestral Ilustre) que recebe funções mais importantes no Òrun.

Neste Odù Ifá estão expressas claramente as regras do ifá e as condutas que devem ser praticadas pelos iniciados para que obtenham as bênçãos de Òrúnmìlà.

Falar somente a verdade é uma das mais importantes orientações para quem segue o Ifá, (não somente babalawo) uma vez que estes representam o próprio Òrìṣà.

Os Awo ifá devem também buscar o aperfeiçoamento do caráter; preservar o espaço sagrado das práticas profanas; respeitar a hierarquia do culto; obedecer às leis locais; além de ouvir atentamente e cumprir as orientações do Ifá para que alcancem as bênçãos e supere as dificuldades advindas das atitudes equivocadas.

Além de tratar cuidadosamente as coisas sagradas, manter os assentamentos em boas condições de conservação e higiene; manter em segredo todas as informações que lhe foram confiadas; falar somente o necessário em relação as questões da religião, e por fim, assumir a inteira responsabilidade pelos seus atos e as respetivas consequências, ou seja, nunca culpar Òrìṣà pelos infortúnios que lhe acontecem, pois tem a consciência que o destino é escolhido por cada um de nós no orun.

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