MITOLOGIA E INFLUÊNCIA CULTURAL

Na mitologia yorubana, dentre muitas das histórias contadas sobre essa grande divindade (Irunmolè) que viveu entre os homens, certamente algumas podem não fazer juz à sua grandiosidade, embora comprove a força e a popularidade que Ọya imprimiu naquele povo e ultrapassou fronteiras, influenciando em diversos aspectos, inclusive na arte, os povos do ocidente.

Em uma dessas histórias, Ọya já seria rainha  quando descobre que Sango, seu marido, teria  tirado a própria vida e, em último ato de amor e lealdade, decide tomar veneno e dar cabo da própria vida.

Não tem como esse registro não nos fazer lembrar dos famosos personagens Romeo e Julieta, da antológica obra do dramaturgo e poeta inglês William Shakespeare, que narra em sua peça homônima, a conflituosa relação das famílias Montecchi e Cappulletti, que são o plano de fundo a um amor impossível vivido pelo casal que, diante da situação, tem o seu tão conhecido fim trágico.

Durante a Renascença, inúmeras foram as narrativas de amores com finais trágicos, como por exemplo a história publicada por Luigi da Porto em 1530 que muitos asseveram ter inclusive inspirado na obra de Shakespeare supracitada. Outra possibilidade é que o festejado poeta inglês teria se inspirado em uma história ainda mais antiga, vinda da Grécia (século II), a qual narra uma relação também trágica, em que a personagem apaixonada vai em busca de veneno para escapar de um casamento forçado.

Assim, diante da conhecida influência do povo africano na cultura helênica e em diversas outras civilizações ocidentais, tem-se, por certo, que narrativas como a associada àquela vivida por Ọya em sua vida no Ayè, inspiraram e inspiram até os dias de hoje artistas, poetas, escritrores como sendo arquétipo permanente de relação fiel, amor eterno e dedicação.

Obs: Nos parece que essa história foi adaptada muito tempo depois do glorioso passado de Oyo.

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