A cultura yorubana, apesar de estar aparentemente estruturada em um patriarcado, garantindo por vezes o protagonismo da figura masculina, deixa registrado em diversos Odu para a posteridade, seja pelo estudo de historiadores, antropólogos, sociólogos ou religiosos, que o equilíbrio, a versatilidade e a valentia da mulher garantem a ela mais do que uma participação coadjuvante. Ọya é mais uma desses claros registros de força e lealdade, numa sintonia e equilíbrio perfeito do sagrado masculino e feminino.
Felizmente, em tempos de tecnologia, com acesso à informação e pesquisa em fontes confiáveis como fontes de estudo, há uma oportunidade para combater as rupturas identitárias de um povo, como muitos outros. Isso ocorre devido à diáspora e ao estado de escravização, em que o povo yorubano teve sua cultura e religiosidade praticamente apagados, ou, quando muito, ressignificados com lapsos de memórias recortadas, com muita resiliência e criatividade, rompendo em muitos aspectos por completo o tanto que essa divindade tem para nos ensinar e oferecer.
Ọya é o Orisà da lealdade ao extremo, sem subterfúgios. É aquela que se dedica ao consorte que escolheu amar com toda a intensidade que se espera de um ser superior marcado por Olodumare. Devido à sua marcante passagem pelo Ayè, com a sua morte, a Oni de Ira (daí Onira), passa a ser cultuada e se torna a eterna rainha do povo yoruba, relegando definitivamente a um segundo plano as esposas de Sango. Sendo assim, falar de Ọya é falar da força e da lealdade da mulher yorubana, que durante a História, destacou-se lado a lado com os homens, escrevendo a saga de um povo conhecido por sua valentia e coragem.
Escrever sobre Ọya é uma oportunidade para combater ignorância imposta pelos tempos difíceis da escravidão.