Introdução

No novo mundo, Obàtaálá, Oba nlá, Oxalá, Oosa nlá, Oosanlá, Obarisa, Òrìsà-nlá e Ogiyan remetem a figura de um líder, de um pai, de alguém que representa tudo que existe de bom, de pureza e paciência. Embora tenha existido uma fantasia criada pelo sincretismo com o cristianismo, não há paralelo com o grande Òrìṣà da história do povo yorùbá.

A mitologia retrata Obàtaálá como um velho sábio e paciente, com a responsabilidade de modelar os primeiros seres humanos com argila. Em alguns momentos, o leitor desatento pode confundir mitologia com teologia. Segundo a teologia yorùbá, Obàtálá seria o espírito criado por Olodumare, um Irunmole para criar o ser humano.

Para falar de Obàtaálá é necessário identificar claramente as denominações variadas de um mesmo Òrìṣà. Na verdade, dentro da tradição que nós aprendemos, existem outras questões que explicariam as diversas denominações para o Òrìṣà, e que, segundo a tradição yorubá, nada tem a ver como caminho ou qualidade.

Obàtaálá é um líder que oferece a sua vida em sacrifício, mas que não renuncia o seu posto de liderança, nem a sua independência. É o símbolo do líder que chega ao extremo para manter a sua dignidade, se negando a aceitar a supremacia do exército de seu oponente. É, portanto, uma história de coragem, determinação e valentia de um soberano.

Quando falamos sobre a história do povo Yorùbá e, sobre o grande líder do povo que vivia na cidade (posteriormente denominada como Ilê Ifé), estamos falando de um rei forte, valente e guerreiro, que se nega a aceitar a derrota para Oduduwa, recém-chegado à cidade.

No presente trabalho, mostraremos a visão do povo Yorùbá sobre Obàtálá, a qual é muito diferente da visão equivocada que, por diversos fatores, desenvolveu-se na diáspora.

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