É muito complicado escrever sobre um Òrìṣà sem revelar segredos, sem entrar em um terreno que é reservado somente para os iniciados daquela divindade. Nessa abordagem, vamos traçar uma descrição que diz tudo que se pode revelar sobre esse Òrìṣà sem prejudicar a verdade, embora muitas vezes com abordagens que, para um leigo, possam parecer desconexas.
Em um determinado momento da Iniciação, o assentamento de um Oloorìṣà se modifica e difere muito de um assentamento de um aborìṣà, padrão que se repete em todas as iniciações. No caso de Obàtaálá, o uso da cabaça, ou Igbá, deixa muito claro os elementos femininos contidos nesse assentamento.
Obàtaálá e Yemoo são quase como se fossem uma única divindade, por essa razão, ele aceita animal fêmea porque, na verdade, quem recebe o sangue é Yemoo, pois ele só aceita Igbin.
Quando observamos o Igbá de Obàtaálá, há um grande equilíbrio entre os elementos: a cabaça, a água e o chumbo, que são representações femininas; em um assentamento de Òrìṣà, os elementos minerais, vegetais e animais têm que estar em equilíbrio, assim como, os elementos femininos e os masculinos. Sendo assim, é possível afirmar que a água do igbin é a representação do sêmen que fecunda e dá origem a vida. Ainda, a cabaça recheada de sementes representa o órgão feminino e a ligação de Obàtaálá com Yemoo, sua esposa.