O primeiro monarca, conhecido como rei Isa Ipasan, viveu cerca de cem anos antes da fundação de Ketu. A tradição local desta cidade não inicia a lista com o rei Edé, o verdadeiro fundador de Ketu. Ela inclui o rei Isa Ipasan e seus cinco primeiros sucessores para marcar claramente a continuidade da dinastia de Ketu.
Ilé-Ifé, a antiga capital dos iorubás, forneceu famílias de príncipes para diversos reinos, incluindo Savé, Oyó, Ketu, Benim e outras cidades. O Rei Edé, fundador da cidade de Ketu, sucedeu Okoyi, filho de Atonsi e Oniyi. Ele foi o oitavo rei da dinastia. Durante seu reinado, ocorreu a primeira guerra, quando os fons das aldeias vizinhas se revoltaram contra os iorubás de Ketu devido à contínua expansão de terras.
No reinado de Edé, os fons toleraram a presença dos iorubás, mas as demandas por terras em virtude da rotação de cultivos levaram a hostilidades durante o reinado de Okoyi, um rei que carecia de prestígio e era conhecido por sua pusilanimidade. Os fons se tornaram mais hostis aos iorubás, resultando em uma guerra. Okoyi, ao ouvir sobre a aproximação de um grupo armado, fugiu para uma floresta próxima, onde seu nome ainda é lembrado. Os habitantes de Ketu, incapazes de encontrar seu rei, defenderam-se com coragem e repeliram os ataques dos fons. Após algumas escaramuças, a cólera dos assaltantes se acalmou e conversas de paz começaram.
Para evitar futuros conflitos, os chefes das famílias iorubás sugeriram uma fusão entre os dois povos, construindo suas casas perto dos bairros iorubás para formar uma única comunidade. Muitos fons aceitaram a proposta, tornaram-se cidadãos e foram integrados à sociedade iorubá. Alguns deles até ocuparam cargos no conselho do rei, e suas famílias foram assimiladas pelos iorubás, abandonando sua língua materna em favor do iorubá.
Em relação ao rei Okoyi, algumas tradições sugerem que os iorubás o executaram devido à sua covardia ao fugir durante o perigo, mas pode haver confusão com a história de Agbo-Keji, o décimo terceiro rei de Ketu, que enfrentou um destino semelhante.
Após a morte de Okoyi, o príncipe Eshu, filho de Aro-Baba-Itsa e Angbá, foi escolhido para sucedê-lo como rei. Nesse ponto, surge a figura de Èṣù Alaketu, cujo oriki é apresentado:
Tradução (português)
Os sucessores imediatos de Eshu foram Akpanhun, o décimo rei, e Dako, o décimo primeiro rei. Pouco se sabe sobre o décimo segundo rei, Ogôh, exceto que ele pertencia à família real Alapini, uma das nove famílias reais de Ilé-Ifé.
O décimo terceiro rei, Agbo-Keji, enfrentou uma revolta semelhante à de Okoyi e também fugiu para se esconder. Uma nova guerra ocorreu, e os iorubás de Ketu finalmente o encontraram em seu acampamento, onde, dizem algumas tradições, ele foi massacrado por seus súditos. Depois de sua morte, os fons e iorubás de Ketu viveram em paz.
A história da cidade de Ketu é rica e complexa, repleta de eventos e figuras que moldaram sua identidade ao longo dos séculos. A fusão das culturas fon e iorubá desempenhou um papel fundamental na formação da sociedade de Ketu, e a figura de Èṣù Alaketu, como mensageiro divino, continua a desempenhar um papel importante na vida religiosa e espiritual da cidade.
Texto adaptado de DUNGLAS, É. CONTRIBUIÇÃO À HISTÓRIA DO MÉDIO DAOMÉ: O REINO IORUBÁ DE KETU Afro-Ásia, núm. 37, 2008, pp. 203-238 Universidade Federal da Bahia Bahía, Brasil.