A FALTA DE DISCERNIMENTO À ESCOLHA DE LITERATURA ADEQUADA PODE PREJUDICAR O ENTENDIMENTO TEOLÓGICO DO ESTUDANTE DE IFÁ

O ser humano tem uma capacidade incrível de criar e inovar. É louvável o avanço que percebemos nas mais diversas áreas, porém, temos que dizer que quando se fala de Òrìṣà, a criatividade somada a falta de informações gera grandes prejuízos ao saber. Desde 1830, aproximadamente, escritores com boas e más intenções escrevem sobre os Òrìṣà. É surpreendente a quantidade de absurdos que foram escritos ao longo do tempo.

Eu sempre digo para os nossos Babalawos “estudar é preciso”, mas, se você utilizar fontes de estudos sem credibilidade na internet, é um desperdício de tempo.  Em quase a totalidade dos casos que acompanho, o awo perde muito tempo com literatura errada.

Costumamos dizer que o papel aceita tudo e cabe a quem lê identificar o que é bom e o que é ruim. O número de pessoas que escreve sobre Òrìṣà cada dia aumenta mais e o fato é que muitos nem são iniciados e se atrevem a escrever.

Vejo pessoas não iniciadas em Ifá que escrevem sobre o assunto. Então, gostaria de citar alguns dos grandes equívocos escritos, em ordem cronológica:

  • 1884: Baudin sugere que algumas mulheres velhas se diziam feiticeiras somente porque o que escritor estava perguntando, mas na verdade ele não acreditava nesses relatos. Ainda, diz que o pássaro de Ìyà mi é uma coruja. Por fim, afirma que Odùduwa é a esposa de Obàtálá.
  • 1885: Um autor desconhecido escreve que Ìyà Mi se compara a virgem santa.
  • 1894: Ellis indica que Odùduwa é a grande deusa negra.
  • 1933: Nadel escreveu que já não existia mais mulher cultuando Iya mi.
  • 1940: Willians escreve que os caçadores de bruxas faziam com que as mulheres confessassem cultuar Iya mi, dizendo ainda que elas eram convencidas a abandonar o culto por algumas moedas.
  • 1943: Maupoli diz que Ìyà Odù é um vodù.
  • 1953: Debrunner diz que ação combinada dos missionários e professores destruíram a antiga religião de Òrìṣà.
  • 1954: Lydia Cabbrera retrata que Odùduwa é esposa de Obàtálá e que os dois moram em uma cabaça com 16 búzios.
  • 1975, Joana Elbein dos Santos: (Os nagôs e a morte, pág. 121), o poder feminino é representado por Odùa.

Esses são pequenos exemplos, mas poderíamos coletar uma vasta quantidade de equívocos extremamente prejudiciais para os jovens estudantes da religião de Òrìṣà.

Muitos autores citam o padre Noel Baudin como fonte, imaginem que absurdo. Na realidade, eles ficam lendo alguns livros antigos e escrevendo seus livros, reprOdùzindo informações que jamais deveriam ser divulgadas por falta de crédito. Seus livros se baseiam em outros autores, que se baseiam em outros livros de outros autores, dando origem à bola de neve da falta de informação.

Observando algumas dessas situações, percebemos que a falta de informações em muitos casos é substituída pelo preconceito e racismo, não iniciados e membros de outras religiões terminam relatando aquilo que eles imaginam.

Esses são os casos mais conhecidos, embora todos os dias nas redes sociais sejamos bombardeados por absurdos semelhantes como os acima citados.

Vou colocar aqui só alguns exemplos:

  • Logun ede é seis meses feminino e seis meses masculino.
  • Pomba gira e Iya mi são da mesma falange.
  • Nos ebos para Ogun tem que levar um alguidar pequeno com milho para o cavalo dele.
  • Òrúnmìlà fala sobre os mesmos princípios que a umbanda.
  • Mulher não pode ser iniciada em Egungun.
  • Tranca rua é o exu do Osun.
  • Os Òrìṣàs são iguais a super-heróis, Ewa é igual a mulher maravilha.

Eu poderia ficar escrevendo horas citando os absurdos que vejo na internet, mas, isso não vai contribuir muito. O importante é alertar as pessoas sobre a nossa religião e a necessidade de estudar e aprender a cultuar Òrìṣà.

É verdade que muitos desses escritores escreveram bons trabalhos, o problema é como aquele que não conhece vai identificar o que é bom ou o que é ruim.

Os iniciados não devem comprar apostilas, porque se um dia alguém perguntar com quem aprendeu, a pergunta certamente vai ficar sem resposta.

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