Em uma linguagem popular se fomos comparar o Ọrùn a uma empresa usando assim uma didática de fácil assimilação o processo seria composto da seguinte forma:
As pessoas iniciadas em Òrìṣà não podem ser sepultadas em gavetas o ideal é que seus corpos sejam restituídos a terra, sendo assim o ajogun iku(morte), não é ruim, ele exerce uma função determinada por Iya mi, porém em data quase sempre escolhida por nós.
No Odù Ogbe Yonu, Òrúnmìlà orienta os Òrìṣàs para oferecerem efun e osun, além de várias folhas para Iya mi Osoronga, Iya mi se compromete a não atacar os filhos dos Òrìṣàs.
No Odù Ogbe Sa, Iya mi se compromete com Òrúnmìlà em fazer o bem quando chega a terra, ela diz a Òrúnmìlà, que seus filhos vão ter prosperidade e felicidade.
No Odù Irete meji Òrúnmìlà viaja para a cidade de Ota e descobri o segredo das Iya mi, ele oferece o prato predileto delas e eles se tornam amigos.
No Odù Irete Ogbe, Iya Odù se torna a esposa de Òrúnmìlà que reconhece o poder de Iya quando ela invoca o pássaro Aragamágo como sendo muito superior ao seu.
No Odù Ose Oyeku Òrúnmìlà orienta Ogun, Obaluaye, Odùduwa e Obàtálá para que façam oferenda para Iya mi que reconhece os mesmos como filhos.
A figura materna de Iya mi é confirmada em vários versos de Ifá, uma mãe tem o dever de zelar pelos seus filhos, não tem o dever de agradá-los, nem tudo que uma mãe faz é compreendido por seus descendentes.
Iya mi é uma mãe zelosa e poderosa que habita dentro de cada um de nós, em nossas vísceras ela pode se manifestar de maneira positiva ou negativa. Iya mi pode criar um mal-estar para impedir que a pessoa saia de casa e seja vítima de algo que não faça parte de seu destino, o problema intestinal certamente vai ser visto de forma negativa, mas será necessário para manter a pessoa longe do perigo.
A igreja católica ao longo da história combateu a figura feminina por temer a capacidade que só as mulheres têm, que é abrigar uma nova vida dentro delas, as mulheres são muito superiores aos homens em vários sentidos, essa é a verdadeira razão do combate histórico a figura feminina. Iya mi foi uma das vítimas desse processo histórico.
Para cultuar Iya mi é necessário amar e respeitar a figura feminina, respeitar as mães, as irmãs, as filhas, respeitar a natureza e o poder de criação, Iya mi é a própria vida, é quem nos gerou, é quem nos abrigou no passado, é que nos abriga no presente, é com certeza quem vai nos abrigar em um futuro quando passarmos dessa para uma outra.
Algumas pessoas em seu Odù de nascimento necessitam se aprofundar no culto a Iya mi, mais do que outras, isso se deve a própria história de cada Odù e ao destino escolhido pela pessoa, de qualquer forma o culto a Iya mi pode ser praticado por qualquer um, agradar aos nossos antepassados femininos é muito mais fácil do que parece. Para agradar Iya mi temos que estar em harmonia com a natureza e com os nossos semelhantes, a essência do culto a Iya mi é a força feminina maternal que gera e mantém a vida, manter a vida é como amamentar o recém-nascido, é conservar a essência e estimular o desenvolvimento do que temos de melhor.
Iya mi é a força da vida é a capacidade de criar, é a capacidade de amar, é a manutenção da vida, é o leite que alimenta o recém-nascido é o desenvolvimento sadio é a evolução, é a capacidade de renovar como forma de perpetuar a vida.
Em uma árvore grande e sadia podemos observar centenas de galhos como extensão do tronco, podemos ver milhares de folhas e frutos como extensão dos galhos, os frutos dentro deles têm centenas de sementes que geraram outras arvores.
É esse ciclo da vida que representa Iya mi a arvore é só um exemplo, quando estamos diante de uma mulher gravida esse mesmo ciclo pode ser observado, assim é a história, nada acontece sem essas senhoras.
Me causa espanto a falta de conhecimento sobre Iya mi, eu acredito que com o passar do tempo muito desses mitos devem desaparecer.
Quando se fala de iniciação em Ifá estamos falando de um dos momentos mais importantes da vida espiritual de qualquer pessoa, a cerimônia do itefa é constituído de cinquenta e quatro atos que tem como finalidade principal esclarecer as dúvidas sobre o destino do iniciado.
O Itefa esclarece facilitando o dia a dia proporcionando informações para que o iniciado esteja alinhado com o destino por ele escolhido antes do seu nascimento.
A iniciação em Ifá é muito discutida por pessoas que não foram iniciadas, então o que dizer desses comentários, o ideal seria que as pessoas escrevessem sobre aquilo que de fato elas conhecem.
A preparação de um itefa normalmente leva vários dias, a compra dos animais e do material que será utilizado na iniciação é orientada pelo Oluwo, o critério no momento da compra dos materiais[1] sempre deve ser que sobre material, ao invés de faltar, a sobra facilita assim as indicações ainda desconhecidas no decorrer dos rituais.
Lista de materiais de um Itefa[2]:
Ainda considerando a compra dos materiais com fartura, é importante salientar que antes do início do itefa é feito uma consulta a Òrúnmìlà que vai orientar os ebos que antecedem o itefa, sempre é feito ebo riru, e outros ebos.
O ritual do itefá é complexo e exisge diversas etapas, iremos listar as principais com algumas omissões que são segredos da religião:
Todos esses ensinamentos que estou divulgando aqui foram recebidos de meu Oluwo Oyeniyi Awolola Agboola e do Araba Awodiran Agboola, os rituais de iniciação em nossa casa reproduzem na integra os rituais de iniciação de nossa família na cidade de Lagos na Nigéria.
Qualquer pessoa com um pouco de bom senso vai entender que por razões obvias divulguei aqui somente vinte e sete atos dos cinquenta e quatro atos que constituem a cerimônia de um itefa e um Itelodù.
Tanto nos casos de Babalawos como IyanIfás e omo Òrìṣàs as cerimonias podem levar de três a dezesseis dias.
Babalawos e IyanIfás e sacerdotes do culto de Òrìṣà tem a sua cabeça raspada nessas cerimonias.
Das mais de cinquenta cerimonias que constitui todo processo até o itelodù duas são diferentes para omo Òrìṣà e uma é diferente para IyanIfá.
O importante para mim é divulgar em princípio informações que possibilitem as pessoas em geral ter uma noção do que consiste em um itefa.
Considerando que ultimamente tem aumentado muito o número de pessoas enganadas por falsos sacerdotes.
Um Bàbàláwo ou uma IyanIfá não incorporam espíritos.
Um Bàbàláwo ou uma IyanIfá não comercializam materiais de asé.
Um Bàbàláwo ou uma IyanIfá só iniciam as pessoas depois de vários anos de estudo.
Um Bàbàláwo ou uma IyanIfá só iniciam em Ifá com a autorização de seu Oluwo.
Um Bàbàláwo ou uma IyanIfá não mentem e não enganam as pessoas, esses sacerdotes devem ser modelos de retidão e bom caráter para as suas comunidades.
Um Bàbàláwo ou uma IyanIfá não usam drogas e não podem ter envolvimento com coisas que constituam uma infração as leis de seu país.
Òrúnmìlà não pactua com traidores.
O awo que trilha o caminho da verdade jamais está sozinho, a minha verdade pode lhe incomodar muito, mas tenha a certeza de que a sua mentira me incomoda muito mais. Eu não sou o dono da verdade, mas também não sou um mentiroso, sendo assim Ajagunmale é aquele que vai nos julgar.
Esse texto foi motivado pela indignação de saber que pessoas dizem ser aquilo que na verdade elas não são, existem muitas pessoas se beneficiando do desconhecimento do público em geral, usando o nome de Òrúnmìlà em seu próprio benefício.
O certo é que o tempo para a falta de informação está terminando.
Esses textos não são frutos de pesquisas na internet são conhecimentos obtidos junto ao Araba de nossa família e do meu Oluwo.
[1] Quando o material é comprado em parte antecipadamente, o assentamento do Òrìṣà ire é facilitado após a indicação do Odù de nascimento, assim como a preparação do igba ori se necessário.
[2] Não vamos fornecer a lista completa nesse texto por acreditar que seja desnecessário a divulgação. A parte da lista divulgada já vai dar uma ideia para o leitor, ou seja, isso vai auxiliar para que ele não seja enganado por pessoas que se dizem sacerdotes.
[3] Nesse texto vamos para facilitar a compreensão nomearemos o iniciado como awo.
[4] A Iya apetebi normalmente é a esposa do Bàbàláwo, embora nesses rituais a figura da Iya apetebi possa ser representada por uma outra mulher, que não seja a esposa do Bàbàláwo.