Falar sobre Iya mi é transitar pelos textos dos Odùs Osá meji, Ose Oyeku, Irete meji, Ogbe Sa e Irete Owonrin e Irete Ogbe, embora Iya mi se faça presente em todos os Odùs.
Exu, Òrúnmìlà e Iya mi respondem nos duzentos e cinquenta e seis Odùs, porém em alguns é exaltada a necessidade de pactuar com Iya mi de forma a criar uma aproximação do indivíduo com a informação e a ritualística considerando que a energia já o acompanha desde o nascimento.
Vejo constantemente supostos conhecedores falando mal de Òrìṣà e de determinados Odùs. Um desses é Osá meji, famoso entre os incultos como Odù negativo, é por essa razão que vamos começar falando do aspecto positivo contido nesse Odù e no culto a Iya mi Osoronga.
No Odù Osá meji, Iya mi Odù quando chega a terra age sem limites desrespeitando os Òrìṣàs a ponto de vestir a roupa de Egúngún. Nesse Odù, Iya mi encontra dificuldade para dançar com a roupa de Egúngún e Ọbàtálá intrOdùz, em uma incisão do tecido, uma rede para que permita a ela conseguir enxergar.
É evidente que posterior a essas confusões algo tinha que ser feito e Iya mi deveria ser acalmada. Então, após uma consulta a Òrúnmìlà, Ọbàtálá é aconselhado a dividir seu alimento com Iya mi. A água do igbin (omi ero), oferecida para Iya Odù, que imediatamente adota como o seu principal alimento – o igbin. Com esse ato, Ọbàtálá acalma Iya Odù.
O trabalho de um Bàbàláwo é interpretar os versos de Ifá. Considerando o citado acima, estamos falando de um convívio harmonioso entre um personagem masculino e um feminino, a água do igbin é conhecido como a água que acalma, sendo assim esse Odù fala de um período de paz e prosperidade.
Já no Odù Irete Owonrin, Obàtálá tenta ludibriar Iya mi se negando a pagar um tributo para a grande mãe ancestral. Iya mi com habilidade percebe a armação e se antecipa ao embuste criado. Interpretando essa passagem do Odù Irete Owonrin percebemos que Iya mi só quer o que é dela por direito, deixando bem claro que ela não se antepõe aos Òrìṣàs ou aos seres humanos.