De um modo geral, não existe um pré-requisito para que uma pessoa seja iniciada em Ifá. A consulta é que vai indicar a necessidade de iniciação ou não.
No território yorubá, antes de serem iniciadas em Òrìṣà as pessoas são iniciadas em Ifá, justamente o contrário do que acontece em nosso país, onde, por uma questão cultural, elas são iniciadas primeiro em Òrìṣà (o que frequentemente pode se tornar um problema). Sendo assim, o ritual de iniciação em Ifá quase sempre identifica a necessidade de complementar a iniciação anterior.
Na verdade, o que favorece a pessoa que vai ser iniciada em Ifá, além dos rituais e da aproximação do indivíduo com o seu destino, é o conhecimento do sacerdote que vai ministrar o ritual, assim como o conhecimento do seu Ojugbona. A figura do Ojugbona é muito importante, pois será essa a pessoa responsável pela preparação do awo Ifá.
Conhecido também como “a primeira mão de Ifá”, o Isefá é uma pré-iniciação, em que a pessoa é chamada de Omo Ifá. Nesse ritual, a pessoa será informada, através de um Odù provisório o melhor caminho a ser seguido, e que possibilitará o seu crescimento pessoal e espiritual. Em hipótese alguma deve se raspar a cabeça nesse ritual.
A iniciação em Ifá, de fato, onde o Odù de nascimento é extraído através de ritual com os ikins, que pode ou não definir caminho de sacerdócio. Nessa ocasião, a cabeça do iniciado será raspada.
Cerimônia que pode acontecer logo após o Itefa ou em data indicada por Òrúnmìla. É o ritual mais importante onde Iya Odù reconhece o filho. Somente após o Itelodù o Bàbàláwo será confirmado e ter seus conhecimentos testados. Com o passar do tempo e com os estudos e práticas, pode receber o título de Oluwo e a autorização para ter a sua família.
Existem algumas pequenas diferenças nos rituais dependendo da região do território yorubá, mas, de um modo geral, é esta a ordem das obrigações pelas quais passa um iniciado até chegar a Bàbàláwo.
A ordem descrita acima não é uma regra. Em uma consulta a pessoa pode ser orientada por Òrúnmìlà para que faça somente isefa ou até mesmo itefa. Mas quem decide é Òrúnmìlà. A natureza do ritual é sempre o Òrìṣà.
Salvo raríssimas exceções, somente os Oluwos tem assentamento de Iya Odù. É evidente que o Odù de nascimento pode determinar a diferença entre os Bàbàláwo, que, na cerimônia de Itelodù recebem o assentamento de Iya Odù, e ainda aqueles que não recebem o assentamento de imediato.
O Odù de nascimento também indica a necessidade de iniciação em outros Òrìșà. Também é verdade que é raríssimo que um Bàbàláwo se torne um Oluwo sem que seja iniciado na sociedade Ogboni[1].
Os juramentos feitos na iniciação Ogboni permitirão que o Ojugbona e o Oluwo possam ter a tranquilidade de passar segredos para o Bàbàláwo, já que a relação de confiança entre as partes é que vai pautar os ensinamentos a serem abordados.
Por orientação do Araba de nossa família, um Bàbàláwo só se torna um Oluwo após um período mínimo de estudos de cinco anos. Alguns Bàbàláwo podem receber autorização para fazer isefas em um prazo inferior ao citado acima, mas é exceção.
O Òrì de cada iniciado é que vai definir a sua capacidade de aprendizado, podendo ou não alterar a data em que o Bàbàláwo terá seu conhecimento testado, implicando diretamente em sua formação, considerando que o tempo de assimilação dos ensinamentos varia de pessoa para pessoa.
[1] A sociedade Ogboni tem a missão de guardar os segredos da nossa religião.