Aula 5 – O bàbáláwo Brasileiro

“Um dia foi me perguntado se poderia haver um Bàbáláwo Brasileiro, e isso me fez pensar, que trauma de inferioridade nosso povo vive ao longo da história, que só o que é estrangeiro é bom.”

Agboola, Ifagbaiyin.

Se um brasileiro, que passa pelas mesmas cerimônias que um iorubano, o que o torna menos capaz diante dos olhos de Ọ̀rúnmìlà? Nada.

O ritual conhecido como Ìtẹ̀fá, qualifica a pessoa para ser um sacerdote e dar início a uma jornada de aprendizado e qualificação sacerdotal para o resto da vida, no qual, dependendo dos esforços, dedicação e estudos o recém iniciado poderá levar mais ou menos tempo para sua formação como Bàbáláwo.

Antigamente dizia-se que o iniciado em Ifá, deveria estudar no mínimo 15 anos para se tornar um Bàbáláwo. Hoje, com tantos mecanismos disponíveis que auxiliam para o desenvolvimento do ensino-aprendizagem, os sacerdotes conseguem reduzir bastante esse tempo de aprendizado.

Todo o iniciado que se submete as devidas cerimônias de iniciação deve obrigatoriamente ser reconhecido pelo título que recebeu. Se ele vai ser um sacerdote qualificado ou não irá depender muito dos seus próprios esforços, assim como, em qualquer outra profissão. É importante ressaltar que o fato do iniciado passar por certos rituais, não o habilita a realizar os mesmos, mas, o torna reconhecido como o tal.

Dizer que todo brasileiro não pode ser um Bàbáláwo, é no mínimo imprudência, porque Ifá, ensina que generalizar não é inteligente. Devemos estar abertos ao diálogo e as mudanças, pois, até a natureza está em constante transformação. Uma das missões que Ifá, deu aos Bàbáláwos, é que ele ande pelo mundo e inicie novos sacerdotes.

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