Aula 10 – Ìyá Mi, as Bruxas e a Desinformação

“Eu me considero uma pessoa calma, mas, diante de tantos absurdos sendo ditos sobre Ìyá mi na internet, minha paciência desapareceu, chamar a mãe da terra de bruxa, é no mínimo desinformação, Ìyá (mãe) mi (minha), minha mãe não é bruxa, e eu entendo o motivo da afirmação, falta de cultura, mas não concordo com a falta de informação nos dias de hoje, pois, nunca na história foi tão fácil se informar…”

Ifagbaiyin Agboola.

Dizer que Ìyá mi é um culto somente de mulheres é mais um absurdo, o que dizer dos Oṣós? Assim como, também é um grande equívoco afirmar que Ìyá mi é cultuada para maldade.

A função de Ìyá mi na teologia yorùbá, é a coordenação dos Ajoguns, de Ikú, Àrùn, Òfò, e outras dificuldades que o homem encontra em sua existência, a liberação ou não dos ajoguns, está ligada a uma série de fatores, assim como, o próprio destino, que conforme a cultura religiosa yorùbá em parte é escolhido por nós mesmos.

Diante de tais informações, erroneamente divulgadas, poderemos afirmar que se você quiser agradar seus antepassados femininos e buscar uma existência em harmonia com passado, o presente e o futuro, certamente deverá cultuar Ìyá mi. A essência jamais deverá ser esquecida, não existe figura mais respeitada para os yorùbás do que a mãe, é muito difícil aceitar que a mais importante das divindades se tornou uma bruxa em nosso país, essa que representa todas as mães inclusive a mãe terra.

O culto à Ìyá mi faz parte da história da humanidade e não é um grupo de pessoas mal-informadas que irá mudar a cultura trazida para o Brasil, por nossos antepassados.

“Muito se tem falado sobre Ìyá mi, mas, pouco se tem divulgado dos detalhes do culto a esse Òrìṣà, na verdade pouco se pode divulgar e isso todos compreendem, quando alguém tenta falar um pouco mais, imediatamente, vira alvo de críticas quase sempre feitas por pessoas que nem são iniciadas…”

Ifagbaiyin Agboola.

Nas famílias que cultuam Ìyá mi, ao contrário do que é divulgado no Brasil, muitos homens são iniciados e participam do culto naturalmente, a presença masculina é muito importante, homens e mulheres participam de forma harmoniosa dos rituais.

O que se pode divulgar é que as pessoas pactuadas a partir do primeiro ìmulẹ̀ terão acesso a mais informações e que isso acontece tanto para homens quanto para mulheres. Quando o ìmulẹ̀ é feito com Ìyá mi, a pessoa ao contrário do que se pensa desperta uma energia que ela já possui, que somente com um ritual adequado e conduzido por uma pessoa habilitada justificará essa relação entre homem-divindade, proporcionando assim, benefícios para o indivíduo.

Jamais esse ritual poderá ser chamado de iniciação e muito menos de feitura. Em uma iniciação o indivíduo recebe algo que está faltando e em uma feitura ele exalta o que já possui, mas, em um ìmulẹ̀ ele assume um compromisso com a sua origem o seu passado e o seu futuro, despertando assim, aquela energia já existente, porém, até então desconhecida.

Posteriormente, existirá um contato mais direto com as forças de Iyá mi, através de uma representação que será alterada conforme a evolução do indivíduo diante dos ìmulẹ̀s assumidos, seguindo rituais de compromissos até que em um desses é determinado o completo afastamento de algumas atividades.

É verdade que algumas pessoas falam em sete ou até em nove ìmulẹ̀s, não abordaremos aqui a quantidade nem a ordem dos mesmos, mas, em alguns  casos eles podem ser interrompidos por orientação de Ifá ou poderão ser feitos em uma ordem mais rápida sempre visando o bem estar do indivíduo e o cumprimento de regras previamente estipuladas, onde, fica bem claro que somente a orientação de Ifá poderá determinar o caminho a ser seguido, pois, em alguns casos até a ordem dos ìmulẹ̀s poderão ser alteradas.

Algumas pessoas desconhecem, mas, existem vários tipos de ìmulẹ̀s, inclusive com os outros Òrìṣàs, sempre buscando a proteção e o benefício do pactuado.

error: O conteúdo é protegido!!