Muito se fala sobre a hierarquia no culto de Òrìṣà no Brasil, contribuindo assim para o enriquecimento das informações sobre a religião afro-brasileira. Devido à escassez de informações de fontes seguras em nosso país, divulgaremos aqui, as orientações por nós recebidas em território Yorùbá, sobre a hierarquia no culto a Ifá. Esperamos através dessa aula estar contribuindo e enobrecendo as referências sobre esse tema abordado aqui no Brasil. É importante observarmos que a hierarquia poderá sofrer alterações devido a regiões e grupos familiares, porém, o processo é muito semelhante.
Àràbà: é o título mais importante dentro do culto a Ifá, normalmente em terras Yorùbás um Àràbà é escolhido com base em três critérios, que são eles: conhecimento inquestionável, conduta ilibada e apoio unânime. O Àràbà representa o grupo de Bàbáláwos de uma cidade ou de um país, o que nos leva à seguinte conclusão: as cidades com maior população de Bàbáláwos, tem um critério de escolha mais exigente do que as cidades de pequenas populações. Em uma cidade grande para que um Bàbáláwo, se torne Àràbà, ele será questionado por um grupo maior de sacerdotes. Esses questionamentos podem durar dias e somente quando todos os Bàbáláwos estiverem satisfeitos com as respostas, a data da cerimônia será marcada. Vale ressaltar que em uma cidade muito pequena com um grupo de Bàbáláwos reduzidos, a escolha de um Àràbà poderá ser imediata desde que exista o apoio do grupo.
Como forma afetuosa de intitular o Bàbáláwo mais velho em um Ilé Ifá, carinhosamente o sacerdote mais velho, dentro dessa família poderá ser chamado de Àràbà, é importante não confundir esse título familiar restrito há casa da família, com o Àràbà de uma cidade ou de um país.
Akọ́dá: Bàbáláwo Àgbàlágbà, preparado para substituir o Àràbà, em caso de morte ocupa imediatamente o cargo do Àràbà, mantendo os rituais mesmo no período de luto.
Aṣẹ̀dá: Bàbáláwo Àgbàlágbà, o terceiro na hierarquia, preparado para substituir o Akọ́dá.
Agbongbon: Bàbáláwo, especialista em Oríkì, considerado a memória da família, capaz de recitar o conhecimento contido nos versos de ifá, durante dias e noites.
Erìnmì: Bàbáláwo, com conhecimento inquestionável sobre os rituais secretos no Ilé Ifá.
Agiri: Bàbáláwo, experiente com profundo conhecimento sobre odù.
Awiṣe: Bàbáláwo, bastante experiente que fala em nome da família autorizado pelo seu Olúwo ou Àràbà.
Alakeji: Bàbáláwo, muito experiente que substitui o Olúwo, dentro do Ilé Ifá, em todas as situações com exceção das iniciações.
Alara: Bàbáláwo, experiente, especialista na relação com os iniciados e iniciações em geral.
Okunmeri: Bàbáláwo, especialista nas cerimônias internas.
Agunsin: Bàbáláwo, experiente que acompanha os rituais ou festejos externos, responsável pelo deslocamento dos membros da Ẹgbẹ́ Ifá.
Aranisan: Bàbáláwo, experiente que orienta a cerimônia diante de Osú, no ritual de Ìtẹ̀fá.
Amukinro: Bàbáláwo, experiente que orienta os iniciados dentro do Ilé Ifá, em cerimônias que é consultado Ikin.
Kawolehin: Bàbáláwo, experiente que orienta os iniciados em rituais e festejos internos e externos.
Olúwo: existem dois títulos diferentes descritos pela palavra Olúwo, um dentro de Ifá, e outro dentro da sociedade Ògbóni, imediatamente superior ao título de Apènà na hierarquia. Nessa abordagem iremos analisar o título restrito ao culto de Ọ̀rúnmìlà Ifá. O Olúwo, é um Bàbáláwo que tem autorização para iniciar outro Bàbáláwo, não devemos confundir com Olòdù, ou seja, Bàbáláwo, que possui o assentamento de Ìyá Òdù, o fato isolado de possuir Ìyá Òdù, não o torna um Olúwo. O Olúwo, é o sacerdote que tem a responsabilidade sobre as cerimonias de Ìtẹ̀fá e Ìtẹ̀lodù, sendo assim, consultar Ifá, com Ọ̀pẹ̀lẹ̀ ou Ikin, submeter-se a ẹbọ ou ètùtù, participar de iniciações ou festejos referentes ao culto de Ọ̀rúnmìlà e Òrìṣà, fazer iniciações e consultas é necessário a autorização prévia de seu Olúwo.
Ojúgbọ̀nà: é o Bàbáláwo, que participou da iniciação que tem a função de treinar, mas, não o poder de autorizar o novo awo para que faça iniciações ou consultas.
Balógun: título muito importante, onde, o Bàbáláwo, escolhido para essa função deve ser muito experiente para lidar com as questões que envolvem os rituais e as relações internas e externas da família, referentes a proteção do Ilé Ifá, e seus membros.
Ṣokinloju: esse título deve ser dado a um Bàbáláwo, antigo dentro da Ẹgbẹ́, é uma espécie de observador com autoridade para corrigir erros e procedimentos no dia a dia do Ilé Ifá.
Akogun: esse título só poderá ser dado para um Bàbáláwo, experiente, normalmente o akogun, auxilia ou substitui o balógun.
Surepawo: esse título poderá ser ocupado por um Bàbáláwo, jovem. O surepawo, é encarregado de pagamentos, compras e afazeres fora do Ilé Ifá.
Asawo: Bàbáláwo, jovem ou awo kékeré, que auxilia o surepawo.
Ìyánífá: Toda mulher submetida ao Ìtẹ̀fá é uma Ìyánífá, esse termo também pode ser utilizado para a sacerdotisa de Ifá.
Ìyá Apẹ̀tẹ̀bí: na Religião Tradicional Yorùbá é a esposa do Bàbáláwo. Normalmente, a Ìyá Apẹ̀tẹ̀bí, devem ser iniciadas em Ọ̀ṣun.
Ìyánífá e Ìyá Apẹ̀tẹ̀bí: no caso da mulher que é Ìyánífá e Ìyá Apẹ̀tẹ̀bí, esposa do Olúwo, da Ẹgbẹ́ Ifá, as exigências são maiores em razão da alteração na hierarquia, considerando que o título é superior aos demais remetendo imediatamente a Ìyá Apẹ̀tẹ̀bí e Ìyánífá, ao segundo cargo dentro da Ẹgbẹ́ Ifá.
Ìyálode Awo: Ìyánífá, líder das mulheres na Ẹgbẹ́ Ifá.
Ajigbeda Awo: Ìyánífá, experiente que auxilia a Ìyálode.