Aula 15 – Homem, o Sacerdote e o Deus

“Quando uma pessoa procura um sacerdote, muitas vezes espera encontrar um Deus, e muito raramente aceita que ele seja um homem, ela procura milagres e o mais fácil, o óbvio, parece uma tolice e não uma solução…”

Agboola, Ifagbaiyin.

Confundir o sacerdote com um Deus é comum, mas a não aceitação do sacerdote como homem, isso sim, causa estranheza.

Para um grande número de pessoas é difícil separar o sacerdote do homem e entender que ele tem a sua vida particular.

As curiosidades são muitas e a maldade contribuem para uma enorme confusão, algumas pessoas não conseguem entender que o sacerdote também adoece, ama e tem problemas como todo ser humano.

É comum ouvir a frase absurda: “Se ele não tem nem para ele, como é que ele vai me ajudar a adquirir alguma coisa.” A incapacidade ou a ignorância, não permite que as pessoas compreendam que cada ser humano tem um odù e um destino, e que isso não implica diretamente na capacidade ou no discernimento do sacerdote na hora de analisar o problema do consulente.

Vamos analisar a seguinte hipótese: um Bàbálórìṣà, com um baixo poder aquisitivo, pode dar um Bọrí em uma pessoa que possui muito dinheiro?

Bem, alguns acreditam que caso isso aconteça a pessoa que tem muito dinheiro poderá ter prejuízos levando-o a ruína, na verdade, a falta de conhecimento provoca tais equívocos.

Cada pessoa tem seu próprio odù e seu destino, se uma pessoa que tem muito dinheiro, tomar um Bọrí, com um milionário ou com alguém sem dinheiro, não há diferença no aspecto financeiro.

Tudo que existe na terra nasce de um odù, alguns odùs beneficiam mais a situação financeira, como o caso do odù Ogbè Méjì, que é o odù mais rico que existe.

Em contrapartida, um sacerdote nascido em outro odù como um caminho de Òtúrúpọ̀n, a capacidade de cura é maior, então é bem possível que essa pessoa regida pelo odù Ogbè Méjì, com muita sorte, em um determinado momento de sua vida vai precisar muito da pessoa regida por Òtúrúpọ̀n, para lhe fazer um ebó para combater uma enfermidade.

Se não existir a pessoa com o poder de cura, com o àṣẹ para afastar a doença, o bem-nascido, regido por um belo odù, poderá perder sua vida e deixar de encontrar a cura para o seu problema. É como dizem os antigos: “o caixão não tem gavetas”, e todo o seu dinheiro não resolverá o seu problema de saúde.

Na cultura yorùbá, somente o odù Ọ̀ṣẹ́ Òtùrá, tem o privilégio de chegar aos pés de Olódùmarè carregando as nossas súplicas. Na Religião Tradicional Yorùbá, não se invoca Deus a todo o momento, é diferente das outras religiões, para isso temos os Odùs e os Òrìṣà. Os sacerdotes são homens escolhidos pelos Òrìṣà para estabelecer essa ligação entre o divino e o profano.

Em nosso país, sacerdotes enfrentam um grande número de proibições que em território yorùbá eles desconhecem essas interdições, em razão do sincretismo religioso yorùbá cristão criado no Brasil, podemos citar como exemplo o famoso preceito, onde, o iniciado precisa cumprí-los antes, durante e após a feitura de Òrìṣà. Confundir um sacerdote com um Deus é esperar dele milagres, um homem não faz milagres, nem realiza graças, isso é tarefa das divindades. Conforme o merecimento das pessoas algumas coisas podem ou não acontecer, acreditar no contrário é o mesmo que acreditar que nossa senhora é Ọ̀ṣun. O homem e o sacerdote nunca podem ser confundidos com Deus.

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