O objetivo deste capítulo é que possamos contribuir para alguns esclarecimentos de dúvidas recorrentes sobre a Religião Tradicional Yorùbá, através de perguntas e respostas, sendo assim:
R: Não. Somente quem faz Ìtẹ̀lodù, não incorpora mais, o Ìtẹ̀fá, é muito indicado para Bàbálórìṣàs e Ìyálórìṣàs, fortalecendo assim o elo entre sacerdote e Òrìṣà.
R: Não. O assentamento de Ọ̀rúnmìlà, possui somente ikins de de quatro olhos ou mais.
R: Sim. Existem dois tipos de iniciação para as mulheres, uma que ela se torna Ọmọ Ifá e a outra que ela se torna Ìyánífá, as duas partem da cerimônia do Ìtẹ̀fá.
R: Não. O iniciado é pintado com ẹfun, (elemento masculino) e osùn (elemento feminino), essa interação representa a fecundidade e a prosperidade, assim como a transcendência e a evolução espiritual.
R: Sim. Quem faz Iṣẹ́fá recebe nome e é considerado um membro da família do Bàbáláwo que o iniciou, sendo caracterizado um elo de ligação que responsabiliza o sacerdote pelo pré-iniciado, considerando o Ìtẹ̀fá, como a iniciação propriamente dita.
R: Não. Somente no Ìtẹ̀fá, que se raspa a cabeça.
R: Não necessariamente, a Ìyá Apẹ̀tẹ̀bí, é a mulher do Bàbáláwo, que deverá ser submetida a um Iṣẹ́fá ou Ìtẹ̀fá, porém, isso não configura uma iniciação de Ìyá Apẹ̀tẹ̀bí.
R: Não. Àràbà e Olúwo, são funções exercidas por Bàbáláwos, mas isso não quer dizer que todo Bàbáláwo poderá um dia a vir a ser um Olúwo ou um Àràbà.
R: Não. Caso isso aconteça, esse sacerdote não terá acesso a muitas informações fundamentais para exercer o seu cargo.
R: No odù Ogbè Méjì, Ifá diz, que um Bàbáláwo deve ser um exemplo e que ele deve cumprir as leis, sendo assim, um Bàbáláwo brasileiro, que reside no Brasil, não poderá ter mais de uma mulher. No odù Ọ̀sá Ìròsùn, Ifá diz, o adultério não faz parte da vida daquele que segue Ifá.
R: Sim. Ifá diz que um Bàbáláwo, não deve comercializar as coisas de Ifá.
R: Um Bàbáláwo consulta Ifá com Ọ̀pẹ̀lẹ̀.
R: Sim. Desde que ela seja iniciada como Ìyánífá.
R: Tanto para homens quanto para mulheres existe apenas um tipo de roupa que é usada na iniciação de Ifá, que é um tecido branco que deverá envolver o corpo finalizando com um nó sobre o ombro esquerdo.
R: De três a dezessete dias.
R: Cada caso é um caso, mas, em média depois de quatro a cinco anos, esse tempo pode ser considerado a partir do momento que o iniciado é submetido a um segundo ritual após o Iṣẹ́fá, onde, ele recebe um ọ̀pẹ̀lẹ̀ para praticar.
R: É importante compreendermos que existem mais de um tipo de ọ̀pẹ̀lẹ̀, o awo para praticar, recebe um único ọ̀pẹ̀lẹ̀ que poderá ser de cabaça ou fava. A consagração do ọ̀pẹ̀lẹ̀ para estudos, envolve o ritual onde, o ọ̀pẹ̀lẹ̀ é alimentado junto com o Ifá do iniciado. Já o ọ̀pẹ̀lẹ̀ para consulta de clientes é submetido a um ritual completamente diferente, onde, o Bàbáláwo, recebe no mínimo dois ọ̀pẹ̀lẹ̀s, considerando que alguns odùs queimam o ọ̀pẹ̀lẹ̀.
R: Não. Nem mesmo sendo uma Ìyánífá, a mulher jamais poderá ver Ìyá Òdù.
R: Sim. Pois, através da iniciação em Ifá, ela conhecerá seus èèwọ̀s, e saberá identificar claramente os Òrìṣà, na qual ela deverá cultuar.
R: Sim. Não é comum, mas acontece de pessoas que não são feitas, serem iniciadas para um Òrìṣà específico, um exemplo é o Iṣẹ́fá, onde, a pessoa não é feita e recebe o assentamento de Ọ̀rúnmìlà.
R: Sim. Dependendo do odù.
R: Sim. Dos 256 odùs, em 8 Ọ̀rúnmìlà, se alimenta de animais masculinos.
R: Não. Um iniciado em Ifá é apresentado com uma pena de ìkódídẹ.
R: No mínimo dezoito ikins.
R: De uma hora a três dias, dependendo da orientação de Ọ̀rúnmìlà.
R: Sim. Em um caso específico quando o odù indica a necessidade de Ìtẹ̀lodù, o ọ̀pẹ̀lẹ̀ para praticar é consagrado para o uso de estudo até a preparação para o Ìtẹ̀lodù.
R: Normalmente não, somente quem faz Ìtẹ̀lodù, recebe esses instrumentos que são usados por Bàbáláwos e Ìyánífás.
R: Não. A orientação do Ọ̀sẹ̀ semanal, é indicada para alguns odùs, em outros, Ifá alerta que o assentamento não deverá ser limpo, enquanto o compromisso assumido de um Ìtẹ̀fá, não seja realizado.
R: Sim. Como podemos observar no odù Ọ̀kànràn Ogbè.
R: Os Bàbáláwos e Ìyánífás, podem fazer ẹbọ rírù, seguindo uma regra básica, que consiste em seguir uma ordem pré-estabelecida dentro da Ẹgbẹ́, louvando Olódùmarè, Ọ̀rúnmìlà, os Òrìṣà e os Antepassados da família. Cada família segue uma sequência, o Bàbáláwo recebe diretamente dos seus iniciadores os nomes e os odùs a serem louvados dentro da sequência da Ẹgbẹ́, assim como os odùs de Èṣù, que devem ser usados e os odùs transformadores de negativos para positivos.
R: Não. Não se usa azeite de oliva, popularmente conhecido como azeite doce, para nenhum Òrìṣà.
R: Não. Ṣàngó, convive em perfeita harmonia com Egúngún.
R: Não. Somente Ọbàtálá, não aceita dendê.
R: Não. Ọbàtálá, não deve consumir vinho de palma.
R: Não. Somente Ògún é o dono da ọ̀bẹ, que serve para os outros Òrìṣà.
R: Não. Em alguns Òrìṣà, utiliza a quartinha com água, os principais são: Ọ̀ṣun, Yemọja e Ọbàtálá.
R: Não. Ògún poderá ser arrumado somente em vasilha de ferro ou ser assentado, jamais, em vasilha de barro.
R: Não. Lógunẹdẹ, deve ser arrumado em vasilha de barro.
R: Não. Os búzios abertos servem somente para o jogo, os búzios das vasilhas sempre devem ser fechados.
R: Sim. Os únicos impedimentos de Ọ̀ṣun, seriam o ìgbín e a banha de òrí.
R: Não. Jamais Èṣù deverá ser assentado com pedra de rio.
R: Não. Ṣàngó, é assentado somente em ẹ̀dùn àrá (pedra de raio).
R: Não. O culto a Ìyá mi está ligada a fecundidade, sendo assim, não poderia haver fecundidade sem a presença de ambos os sexos.
R: Não. Pois, toda mulher tem antepassados masculinos que devem ser homenageados.
R: Não. Ìyá Apẹ̀tẹ̀bí, é uma função da mulher do Bàbáláwo, independente do Òrìṣà que ela cultue.
R: Não. O que existe são nomes diferentes atribuídos aos Òrìṣà, devido a região e grupos familiares.
R: Sim. Porém, tem preferência por orógbó.
R: Não. O orógbó não deve ser aberto com faca e nem descascado para oferecer ao Òrìṣà.
R: Sim. Não só pode como deve iniciar seus filhos carnais. Existe odù que fala sobre a iniciação dos próprios filhos.
R: Sim. Se após uma consulta a Ifá, houver a necessidade, uma pessoa poderá ser iniciada até como Ọ̀jẹ̀, pois, todas as pessoas possuem antepassados.
R: Sim. Se essa for a orientação de Ọ̀rúnmìlà, uma mesma pessoa pode ser iniciada em vários Òrìṣà, assim como, Egúngún, Ìyá mi, Orò, podendo também ser Ọ̀jẹ̀ ou até mesmo um Apènà Ògbóni, tudo depende do seu odù, assim como tem pessoas que devem ser feitas e outras somente iniciadas.
R: Deveria ser, mas em nosso país as pessoas desconhecem essa necessidade, supondo-se que: o Òrìṣà é o veículo que irá te transportar por toda a vida, Ifá é o mapa da estrada, a orientação, o caminho pelo qual você deve seguir.
R: Não existe essa necessidade. Na realidade o Igbá Orí, deveria ser montado somente após a pessoa consultar Ifá e ter conhecimento de seu odù. Na consagração do Igbá é fundamental conhecer o odù e os Òrìṣà que devem ser cultuados.
R: Não. Uma pessoa que não foi iniciada em Ògún, não pode usar ọ̀bẹ, assim como, uma pessoa que não foi iniciada em Ọ̀ṣun, jamais poderá atender alguém com o jogo de búzios e uma pessoa que não foi iniciada como Alágbè, jamais deve tocar um instrumento de ritual religioso que foi devidamente consagrado.
R: Toda ọ̀bẹ deve ser consagrada em Ògún, sendo assim, não existe diferença entre uma e outra, a diferença é uma opção de escolha ou uma questão de prática no uso, conforme o ritual que irá ser praticado.
R: O próprio nome já diz Ẹ̀rindílógún (dezesseis). O número dezesseis é muito importante na Religião Tradicional Yorùbá. Existem alguns casos que podem ser consagrados mais de dezesseis búzios, caso haja necessidade de substituição.
R: Cada situação é determinada por Ifá, se houver a necessidade de culto a um Òrìṣà que normalmente não é cultuado no dia a dia, devemos seguir a orientação de Ọ̀rúnmìlà, não existe uma receita, cada pessoa tem seu próprio Orí e cada Orí pode exigir um ritual diferente do outro, assim, como cada Òrìṣà.
R: Na religião como na vida de um modo geral, existem diferentes funções, mas cargos, poderão ser determinados somente por Ifá.
R: Não. Ifá é quem determina essa iniciação, normalmente isso acontece quando aparece na consulta a Ifá, um determinado odù.
R: Não. Todas as pessoas, sejam homens ou mulheres, necessitam da indicação de Ifá, para tal iniciação.
R: Não. Não existe qualidade e nem caminho de Òrìṣà, no Brasil, se usa muito essa expressão, porém, na verdade toda Ọ̀ṣun é uma só, o rio de Ọ̀ṣun em Òṣogbo é um só, existe sim, várias denominações para o mesmo Òrìṣà.
R: Existe somente uma maneira de você saber se precisa ou não ser feito ou iniciado para um Òrìṣà, em uma consulta a Ifá ou através do Ẹ̀rindílógún.
R: Essa prática foi inventada no Brasil, na Religião Tradicional Yorùbá, o jogo de búzios (Ẹ̀rindílógún), é preparado no exato momento da feitura do Òrìṣà. Deve existir sim, a autorização para o atendimento, se a pessoa não estiver preparada para isso, o jogo deve ser usados para um contato pessoal do iniciado com seu Òrìṣà. A autorização para atender outras pessoas varia de pessoa para pessoa.
R: Cada pessoa é uma história diferente, existem pessoas que nunca poderão abrir uma casa, porque não nasceram para isso. A dedicação e o conhecimento devem servir de base para essa autorização acontecer.
R: Mito. Existem várias pessoas que nasceram àbíkú que foram raspados e continuam suas vidas normalmente, o àbíkú pode ser feito, iniciado ou confirmado, dependendo da indicação de Ifá.
R: Não. Todas as pessoas podem cultuar Ìyá mi, independente do Òrìṣà que seja feito.
R: Somente através de uma consulta a Ifá ou Ẹ̀rindílógún.