Aula 7 – Égún e Òkú

“Os povos de origem Yorùbá utilizam um nome especial para tratar seus antepassados, Égún, esse termo identifica o antepassado masculino, espíritos divinizados através de rituais específicos, onde, o morto passa a ser tratado de maneira especial, ele recebe um novo nome e começa a ser cultuado junto ao assentamento dos demais antepassados…”

Ifagbaiyin Agboola.

Os Yorùbás, acreditam que o culto a Égún serve para harmonizar a pessoa com o passado, mas, principalmente para reverenciar aqueles que contribuíram para a nossa existência, pois, como todos nós sabemos, sem passado não existe presente e muito menos futuro.

Os espíritos dos mortos na cultura Yorùbá, recebem o nome de Òkú, não é todo Òkú, que se torna Égún, mas todo Égún um dia foi um Òkú. A diferença está nos rituais próprios para tornar o Òkú, um ser divinizado, esses rituais podem ser feitos somente para os espíritos de pessoas iniciadas no culto de Òrìṣà ou de Egúngún, é claro que existem outros pré-requisitos para que esse processo de divinização seja efetuado, o homem quando vivo deve ter um comportamento exemplar para que um dia ele venha a ser cultuado como Égún.

No Brasil, existe uma diferença em relação ao que é feito no território Yorùbá, aqui se acredita que os Égúns jamais devem ter contato direto com as pessoas, isso para a tradição  Yorùbá não procede, os antepassados ficam felizes com esse contato, essa é uma das formas de harmonizar o espírito com seus descendentes. Quase todo espírito causa problema para os seus descendentes se não for cuidado de forma adequada, normalmente a falta de rituais fúnebres próprios e o despreparo das pessoas para cumprirem algumas exigências básicas nessa relação homem espírito terminam gerando esse conflito.

Na cultura Yorùbá existe uma sociedade secreta que se encarrega dos rituais fúnebres, esses sacerdotes cultuam uma divindade chamada Orò, que no Brasil, ainda é muito pouco conhecida. No que se diz em relação aos espíritos dos antepassados femininos, é muito raro que sejam cultuadas de forma individualizadas, pois, normalmente são cultuadas nas sociedades secretas das Ìyá mi, podemos citar como por exemplo, Ìyá mi Òṣòròngà, Ìyá mi Àiyé , Ìyá mi Ajé, dentre várias outras.

Sendo assim teremos:

•            Egúngún, é o culto de espíritos masculinos individualizados;

•            Orò, é culto de espíritos masculinos generalizados;

•            Ìyá mi, que é o culto de espíritos femininos generalizados.

Para melhor entendimento é importante não confundirmos com o culto aos Òrìṣàs, espíritos divinizados, relacionado às forças da natureza cultuados no Brasil, e caboclos cultuados na Umbanda, religião de origem Brasileira, que definiríamos como uma forma semelhante de cultuar Égún, porém, diferente, pois, os espíritos da Umbanda estão associados com a cultura afroameríndia.

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