Aula 12 – A Verdade Sobre Egúngún

“Na cultura Yorùbá a morte é encarada com naturalidade, os povos pertencentes a esse território têm uma forma bem clara para definir esse momento, a morte não representa o fim, ela representa sim o começo de um novo ciclo…”

Ifagbaiyin Agboola.
 

A morte não é o fim da vida, existem oito mundos paralelos ao àiyé, conhecidos como Ọ̀run (céu). Este local para o povo Yorùbá é a morada dos Òrìṣàs e dos antepassados, sendo assim, o contato entre o Ọ̀run (céu) e o Àiyé (terra) acontece de forma constante.

O fato de poder ir e vir é um privilégio, somente espíritos com um caráter exemplar serão escolhidos para serem cultuados como Egúngún.

Continuar voltando a terra para ver seus descendentes é um prazer, participar da vida da comunidade ou da família possibilita ao indivíduo eternizar-se, entrar para história e ser louvado por seus descendentes. A desinformação sobre esse assunto é muito grande, existe uma fama de mistério confundida com mentiras e interesses que distancia muito os iniciados da verdade e que atraem os leigos por desconhecerem a realidade.

Não existe Egúngún do Òrìṣà Ògún ou de Ọ̀ṣun ou de Ọbàtálá, esse é um erro bastante comum, o que existe é um espírito de um ancestral (egúngún) que um dia foi feito para um determinado Òrìṣà, ou não.

Não existe comida de Òrìṣà que se serve para um determinado Egúngún, existe sim, pratos tradicionais de um povo, que poderão ou não, serem servidos de acordo com a preferência do antepassado. Não existem interdições de Egúngún, como sal e cor vermelha, tais interdições deixam de existir a partir do momento da morte do indivíduo.

É possível sim que um espírito feminino seja homenageado após a sua morte em um ritual de Egúngún. É permitida sim a permanência de mulheres nos rituais para Egúngún, não dá para compreender quais seriam os objetivos de tais rituais que não fossem os de manter a família e a estrutura de um povo sem que a presença da mulher deixe de ser fundamental.

Todas as casas que cultuam Òrìṣà devem ter sim um assentamento de Egúngún, todos temos antepassados. Sim, é necessário o culto de Egúngún e Òrìṣà assim como de Ìyá mi no mesmo local, um ritual se completa com o outro, até por que estamos prestando homenagens a espíritos evoluídos e de grande compreensão, espírito desinformado não merece tais rituais e sim outros.

Uma pessoa com cargo de Bàbálórìṣà, pode sim ser um iniciado em Egúngún, e outros cultos como o de Ìyá mi e de Bàbá Orò, sem nenhum problema, como disse anteriormente os rituais se completam, pois, todos nós temos antepassados femininos e masculinos.

Uma pessoa deve sim cultuar Egúngún de sua família, assim como, o Egúngún da família de Òrìṣà a qual ela foi iniciada, cultuar um Egúngún de alguém que não tem nada em comum com você é no mínimo desperdício para não dizer total desinformação.

Assentamento de Egúngún pode sim ser feito em casa alugada, quando a pessoa vai mudar para um outro lugar tem um ritual que deve ser feito com uma parte da terra do local, e o assentamento jamais deverá ser desfeito e sim transferido.

Toda pessoa um dia poderá ser um Egúngún cultuado sim, o que vai diferenciar quem merece ou não ser cultuado é a finalidade do assentamento, para ser mais claro, se eu quero um amigo que vai me orientar, não assentarei o espírito de um qualquer.

Existe sim um odù que autoriza a abertura de um buraco no chão para o culto dos antepassados, não mencionaremos aqui por razões óbvias. Todos os rituais em nossa religião constam nos versos dos odùs de Ifá.

Sim, um Egúngún assim como um Òrìṣà, não necessita de um número exato de animais para ser assentado, acontece que o homem está tão pretensioso que administra os rituais sem mesmo questionar a divindade e suas preferências. Sobre a questão da roupa de Egúngún, não passa de truques mirabolantes destinados a interesses financeiros e outros, somente quem conhece os rituais de preparação de uma roupa de Egúngún sabe a importância da mesma na preservação dos membros ali envolvidos.

A respeito de usar Egúngún para fazer maldade, sabemos que faz parte da história humana lançar mão de tudo que é possível para atingir seus intentos, mas, é bem verdade que se amamos um Egúngún e o respeitamos, jamais pediremos para interferir em nosso benefício causando qualquer tipo de dificuldade ao outro, é claro que isso faz parte da formação da pessoa e não de uma religião específica, algumas pessoas não merecem ter o acesso a tais informações, mas, isso é uma outra história.

Bàbá Egúngún ọlọ́mọ kì nsùn o

Màá sùn kì o màá gbàgbé ilé

ma fi ọ̀wọ̀ d’igi igbàgbé mù lọ̀run”

Tradução

“Um ancestral que possui filhos e devotos não dorme. Não dorme e não esquece sua casa no céu, meu pai, jamais abrace a árvore do esquecimento, jamais se esqueça das pessoas que te louvam”.

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